Levantamento de Carris na Estação de Vila Real - A Tarde do Roubo
Comunicado MCLC
Levantamento de Carris na Estação de Vila Real
Fomos hoje alertados que uma empresa, supostamente com conhecimento da REFER e sob supervisão de um encarregado desta empresa pública, estaria a retirar da estação de Vila Real os carris anteriormente levantados no troço Régua – Vila Real na sequência das prometidas obras de requalificação da Linha do Corgo.
Foram recolhidas fotos que demonstram a presença de camiões e de uma máquina de levantamento de cargas, tendo dois membros do MCLC presenciado à carga de carris para um dos camiões. Os camiões não demonstram a que empresa pertencem, e aquando da gravação de uma entrevista por um canal de televisão a um dos membros do MCLC junto à entrada da estação de Vila Real, um dos camionistas dirigiu-se ao operador de câmara perguntando se lhe iam filmar o camião, num tom um pouco exaltado.
Numa semana onde se noticiou uma suspeita há muito gravada no seio dos trasmontanos, a de que o desmantelamento da Linha do Sabor estaria ligada a algum caso de corrupção, neste caso o denominado “Face Oculta”, que envolve entre outros precisamente a REFER e uma empresa de sucata em negócios de desmantelamento de vias-férreas, estes movimentos levantam demasiadas questões, que deverão ser esclarecidas urgentemente pela REFER.
Segundo conseguimos apurar, estes carris não seriam utilizados na reabertura da Linha do Corgo, pelo que não lhes restaria nenhuma função na estação de Vila Real. Admitindo que estes carris seriam do tipo de 30 a 40 kg/m, teriam de estar demasiado degradados para não terem mais utilidade numa Via Estreita, ou então a Linha do Corgo deverá contar com uma reabertura que inclua carris de 45 kg/m, relação de excelência para este tipo de vias.
A respeito do encerramento definitivo da Linha do Corgo não há ainda certezas, nem quanto ao que diz respeito às responsabilidades da REFER (reposição da via), nem quanto às da CP (transportes alternativos).
Relembramos que o encerramento das Linhas do Tua, Corgo e Tâmega e do Ramal da Figueira da Foz, representaria um alívio dos prejuízos da CP de apenas 6 milhões de euros por ano, o que não chega a representar 3% do seu défice, longe, demasiado longe de tal representar o que quer que seja no objectivo de equilibrar as contas desta empresa pública, mas brutalmente perto de nova medida de terrorismo social da tutela dos transportes. Estes números não incluirão as perdas de receita advindas do encerramento.
Em 20 anos, os caminhos-de-ferro portugueses perderam 43% de passageiros (inédito em toda a União Europeia), um terço da sua extensão, e metade dos seus trabalhadores, tudo em nome do equilíbrio das contas; o resultado é o agravamento do défice para o dobro e da dívida para o quádruplo, juntamente com um agravamento dos custos com administradores de 110%.
A Linha do Corgo já não tem pessoal nas estações intermédias, e a estação de topo, Vila Real, só abre uma vez por mês, para a venda de passes. Alvações do Corgo não dispõe de outro transporte público que não o comboio, sendo que as deslocações de comboio ou de automóvel particular ou mesmo de autocarro apresentam na Linha do Corgo as seguintes características (ver em anexo no email).
Ficará este dia conhecido também como Noite do Roubo, neste caso mais descaradamente, como Tarde do Roubo?
Vila Real, 27 de Outubro de 2011
Movimento Civico Pela Linha do Corgo
Noticia na SIC:
Publicado por: lgoncalves59pt | Outubro 29, 2011
http://linhaferroviariadocorgo.wordpress.com/2011/10/29/comunicado-mclc-2/







