«O Douro vai deixar de ganhar 800 milhões de euros em 2011 porque não apostou nos nichos que há dois anos eu recomendei e que considero que não sofrerão com a crise», afirmou Jack Soifer que nasceu no Brasil e é de nacionalidade sueca. Este consultor escolheu viver em Portugal. Escreveu vários livros e fez cerca de 300 consultorias em 11 países, como a Rússia, Brasil, Angola, China ou Estados Unidos da América (EUA).
Jack Soifer, que falava à margem dos trabalhos da
Conferência Internacional de Turismo que decorre em Vila Real, diz que são muitos os nichos em que o Douro deveria apostar e que «são valor acrescentado» para este território, como o turismo de natureza, de flores, gastronómico ou o birdwatching (observação de pássaros).
«Isto dá muito dinheiro. Estes turistas gastam muito dinheiro e não vêm na alta estação, vêm em Outubro ou Novembro ou então em Março», salienta.
Jack Soifer considera que o Douro «já tem tudo». Por isso, afirma, que «não precisa de mais infra-estruturas, de mais camas. Talvez pintar algum prédio, recuperar alguma coisa, mas construir de raiz não. O que precisa é sobretudo de organização».
O especialista refere que, neste território, ainda há muitas pessoas nas organizações e instituições, que influenciam mas não são do sector do turismo, e que as que são do sector «estão ultrapassadas».
«Hoje em dia a Internet mudou tudo, e esta nova Internet e novo turista está muito bem informado, sabe bem o que quer e tem altas expectativas quando chegam aqui», sublinha.
Jack Soifer defende a criação de um cluster no Douro, que agrupe mais sectores de actividade que funcionem à volta do turismo.
Segundo refere, um turista gasta em média por dia, para além do hotel e viagem, 31,70 euros no Algarve, 50 euros no norte do país e 70 euros na grande Lisboa, enquanto que na Bélgica ou França, o gasto médio diário é de 170 euros.
«E porque gastam mais nestes países? Porque cada elo da cadeia de serviços de turismo vende os demais elos, ou seja, o taxista promove o restaurante ou o concerto, o hotel promove os museus ou os monumentos», explica.
Para o especialista, desta forma motiva-se o turista a estar activo as «15 horas por dia. É preciso organizar, motivar e explicar», sublinha.